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Avaliação de imóvel na NBR 14653: como tratar escritura desatualizada ou não registrada

05 de novembro de 2026 · 5 min de leitura · Equipe Avaliaí

Você entrega o laudo, o banco devolve. O motivo não é o valor, não é a regressão, não é a amostra. É a matrícula: o imóvel ainda está no nome do antigo dono, e o cliente só tem uma escritura lavrada há anos, nunca levada ao registro. Quem nunca recebeu uma devolução dessas? O problema não é a avaliação em si, mas a forma como o documento foi tratado no texto.

A NBR 14653 avalia o imóvel como ele é, no estado em que se encontra. Escritura desatualizada ou não registrada não muda o valor de mercado do bem. Muda a forma como você descreve a situação dominial e o risco que você deixa registrado para quem vai ler o laudo depois. Tratar isso mal é o caminho mais curto para uma devolução.

O que o banco devolve quando a matrícula não bate com o vendedor

Em edital de credenciamento, CAIXA e Banco do Brasil pedem laudo pela NBR com grau mínimo. O analista do banco não lê sua planilha de regressão primeiro. Ele lê a identificação do imóvel e a matrícula. Se o proprietário do laudo não é o proprietário da matrícula, ele devolve. Não por erro de engenharia, mas por inconsistência cadastral.

O que costuma derrubar o laudo:

  • Você copiou o nome do vendedor do contrato de compra e venda, não da matrícula.
  • A escritura está lavrada, mas sem registro, e você escreveu "proprietário" em vez de "detentor da posse".
  • Existe inventário em curso e o laudo saiu no nome do falecido.
  • O imóvel foi desmembrado e a área da matrícula não corresponde à área vistoriada.

Nenhum desses pontos é motivo para recusar o trabalho. Todos exigem uma seção específica no laudo.

Onde entra a situação dominial dentro do laudo

Coloque a situação dominial logo na identificação e no objeto da avaliação. Não deixe para o final, não esconda no anexo. Quem lê precisa saber, antes do valor, o que exatamente está sendo avaliado.

Defina com clareza:

  • Imóvel avaliando: o bem físico, com área, tipologia e localização.
  • Titularidade: o que a matrícula diz, com número e data da certidão.
  • Documento apresentado: escritura, contrato, posse, inventário.
  • Ressalva: o que você não verificou e o que depende de regularização.

Escreva assim: "O imóvel foi avaliado na condição de ocupação atual, com base na matrícula X, cujo titular é Y. O solicitante apresentou escritura lavrada sem registro, não averbada na matrícula. A avaliação considera o bem físico e o valor de mercado, sem opinar sobre a regularidade dominial."

Essa frase resolve noventa por cento das devoluções. Você não está afirmando que o imóvel é regular, nem afirmando que é irregular. Está dizendo o que avaliou e com base em quê.

O que você não deve fazer (e por quê)

Não tente "regularizar" a situação no laudo. Não é sua função, não é escopo da NBR e não é o que o banco pediu.

  • Não emita juízo sobre usucapião, inventário ou ação judicial.
  • Não zere o valor por causa da pendência documental.
  • Não ignore a pendência e escreva como se a matrícula estivesse limpa.
  • Não use o preço de anúncio de imóvel semelhante como se fosse transação, nem para justificar valor.
  • Não substitua o laudo pelo PTAM do corretor. São documentos diferentes, com finalidades diferentes.

O valor de mercado continua sendo o valor de mercado. Uma pendência registral pode reduzir a liquidez, e isso sim pode aparecer como comentário qualitativo, nunca como desconto inventado sem dado.

Exemplo prático: escritura antiga, matrícula no nome do falecido

Situação: a filha quer financiar o apartamento herdado. Tem escritura de compra e venda dos anos 80, nunca registrada. A matrícula continua no nome do pai, já falecido. Inventário em andamento.

Passo a passo:

  1. Vistorie o imóvel normalmente. Levante tipologia, área, estado de conservação.
  2. Peça a certidão atualizada da matrícula. Anote o titular e a data.
  3. Separe as amostras por tipologia, região e área. Nada de filtrar por preço.
  4. Registre fonte, data e link de cada amostra, porque o grau depende disso.
  5. Rode a regressão comparativa direta, se for o caso, e monte a ficha de avaliação.
  6. No laudo, escreva a ressalva dominial conforme o modelo acima, citando escritura não registrada e inventário em andamento.
  7. Aponte que a titularidade em nome do falecido deverá ser regularizada pelo solicitante para fins de registro. Você não está resolvendo o problema, está registrando que ele existe.
  8. Assine, com ART ou RRT, conforme sua formação.

O grau de fundamentação e o grau de precisão saem da regressão, não da matrícula. Se você atingiu 16 pontos, Grau III; 10, Grau II; 6, Grau I. A pendência documental não derruba grau. O que derruba grau é amostra ruim, sem fonte, sem data, sem link, ou variável independente mal escolhida.

Quando a busca de amostras é o seu gargalo

A parte que mais consome tempo nesse tipo de laudo não é a ressalva. É a coleta de amostras com link e data, em quantidade mínima de 6 x (k+1) para Grau III, 4 x (k+1) para Grau II, 3 x (k+1) para Grau I. Amostra sem fonte é amostra que o analista devolve.

Você pode montar essa base manualmente e conferir item por item. Ou usar uma ferramenta que busca amostras com link e data, roda a regressão, calcula os graus e entrega o laudo para você revisar e assinar. A Avaliaí faz isso: o cadastro dá 1 laudo grátis, e você confere em avaliai-app.com/cadastro."},{

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